segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ressurreição

“Murchará esta primeira flor do teu coração, mas, há seiva nele para dar vida a outra flor, tão bela talvez, e com certeza mais afortunada.”

Essa frase está no livro Ressurreição, do Machado de Assis. É tão bonita! E veio num momento da minha vida em que fez todo o sentido.

No final de julho, as coisas começaram a degringolar no meu antigo emprego.

Melhor: no final de janeiro as coisas começaram a degringolar. A vida me deu uma oportunidade incrível de fugir da armadilha, mas por vários motivos eu acabei voltando e, bom, a coisa toda ficou bem feia no final de julho. Fazia tempo que eu não tinha uma crise depressiva tão feia. Ganhei até atestado. Tudo por causa de um corazón partido e de uma mania bem feia que eu tenho de desabafar na internet.

Na época, eu senti a “flor do meu coração” murchar. Ficou tudo gelado. Morreu tudo dentro de mim, tudo mesmo, todo sentimento bom, todo carinho, toda vontade de viver , de fazer qualquer coisa. Eu era só casca andando por aí. Era o inverno. Não queria ver ninguém, só queria ficar sozinha com as minhas coisas, meus pensamentos. O coração estava hibernando.

Nunca tinha sentido isso tão forte. Agosto foi um mês de reavaliação da vida e de tudo, um mês de transformação. De mudança. Literalmente, mudança de casa; e mudança de alma. Uma coisa que eu precisava fazer comigo mesma, que exigia que eu me isolasse para me concentrar apenas em mim, não nos outros e nos relacionamentos. Era só o meu relacionamento comigo que importava.

Foi gelado, solitário e sombrio, mas essencial.

Mas chegou setembro, e com ele a primavera. As primeiras folhas já brotaram, e os botões de flores começam a surgir. Aos poucos, lentamente. Mas parecem ser mais belas. E mais resistentes. Será que serão mais afortunadas?

Não sei.

Me apoio em outras duas citações do Machado para acreditar que sim.

“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”

“O destino, como os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho.”

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