terça-feira, 1 de novembro de 2011

Querido Submarino

Eu nem ia escrever nada sobre o assunto aqui no blog, porque não quero virar a webdiva dos direitos do consumidor, mas quando eu falei que estava brava com o Submarino não teve uma viva alma que não tenha dito que eu tinha que escrever sobre isso. Mas dessa vez nem é engraçado, já vou avisando, é só mimimi mesmo.

Então, lá vai, a cópia do e-mail que mandei pra todos os e-mails @submarino que consegui imaginar (inclusive presidente, imprensa, assessoria, comercial, etc. etc. Ou seja, toda a empresa já sabe que a louca da Arezzo atacou de novo).


Querido Submarino,

Uma decepção.

Uma sequência de erros, de falta de comunicação, de desinformação. Isso é o que você se tornou.

No dia 17 de outubro pedi 6 DVDs. O número do meu pedido é XXXXXX. Paguei à vista, imediatamente, via transferência bancária, crente de que receberia a encomenda até o dia 28. Que ilusão. Não se pode mais confiar no Submarino.

No dia 21 de outubro, recebo um e-mail: "O pedido XXXXXXX foi enviado para o local solicitado, mas fomos informados que o destinatário mudou de endereço."

Respondo no mesmo dia, explicando que tinha me mudado muito recentemente e solicitando a reentrega em meu novo endereço. Entendo a demora e o problema, o erro foi meu por esquecer de atualizar o endereço, mas acho que é algo que pode ser simplesmente resolvido, não é mesmo?

Pois bem. No dia 22, a resposta: "informamos que a nota fiscal do seu pedido foi emitida e isso nos impossibilita de realizar qualquer alteração. Pedimos que gentilmente que nos informe se deseja o reenvio do pedido, para o mesmo endereço, ou o cancelamento do mesmo e alguma forma de ressarcimento do valor pago."

No dia 24, após falar com os porteiros, que me garantiram que receberiam o pedido, pedi que o mesmo fosse reenviado para o mesmo endereço.

Então, no dia 26, a situação se torna uma bola de neve, e recebo o mesmo e-mail anterior: " informamos que houve insucesso na entrega do  pedido  218422287  por  motivo  de destinatário mudou-se". Impossível, pois o porteiro me garantiu que ninguém aparecera naquele dia, e eu pedi a todos os porteiros que recebessem a encomenda por mim.

Solicitei novamente o reenvio. Nada.

Então, para minha surpresa, no dia 31, recebo um e-mail: "ao solicitar o reenvio do pedido, identificamos que encontra-se temporariamente indisponível DVD Mulan Edição Especial (Duplo) . Vou encaminhar uma solicitação ao setor Serind, para que o mesmo lhe posicione sobre a disponibilidade do item em até 02 dias úteis. "

Como assim? Se a nota fiscal foi emitida e vocês não podiam fazer nenhuma alteração, conforme consta no e-mail do dia 22, como é que agora um dos itens está faltando?

Cansada de toda essa palhaçada, resolvo simplesmente cancelar o pedido. Depois de duas intermináveis ligações (pagas e muito longas, de mais de dez minutos de espera cada uma, diga-se de passagem) para o número de atendimento de vocês, descubro que vocês não podem cancelar o pedido. Como, se estava escrito no e-mail que essa era uma das minhas opções?

Decido ligar para a Transfolha. Qual não é a minha surpresa quando a atendente, Thais, me informa que no dia 29 de outubro um senhor "Ângelo", do Submarino, pediu a devolução do pedido ao Submarino?

Vocês acham que sou idiota? Ignoram os e-mails que escrevo?

Isso tudo é apenas para completar uma comunicação via e-mail que passou por "I. M.", "D. F.", "K. C.", "K. S." e, por fim, com a incompetente C. F. pelo telefone. Por que vocês pedem que entremos em contato com um sistema de atendimento online que não existe? Por que pedem que liguemos para um número que não funciona? Por que colocam no site a informação de que podemos acompanhar o envio pela Transfolha, e na janela abre-se um link quebrado?

É uma pena que vocês tratem os clientes dessa forma. Já adquiri muita coisa pelo Submarino, mas agora não apenas não voltarei mais à loja, como também pretendo informar a todos que conheço da incompetência e dos péssimos serviços de vocês. Se é que é necessário, pois difamar o Submarino já é uma das grandes diversões da Internet, como uma simples busca no Google pode demonstrar.

Não acho que vá adiantar dizer isso de volta, mas:

NÃO QUERO MAIS OS DVDS. QUERO O MEU DINHEIRO DE VOLTA.

Atenciosamente e na espera de uma resposta,


Fabiane

Que deselegante, né, gente. Talvez eu devesse começar a ganhar dinheiro com isso. Envie sua história e transformarei numa carta chorosa.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Diário da Disney 1 - Magic Kingdom

Gente, eu sei. Eu ainda não escrevi o post da viagem pra Disney. Mas vocês têm que entender: de certa forma, eu ainda estou na Disney. Minto: a Disney está em mim. Adiposamente, acumulada na minha barriga. Duas semanas de pão branquinho com peanut butter e geleia, doces maravilhosos e cerveja amanteigada não te abandonam tão fácil assim, sabem?

Bom, vamos lá.

Pra começar, caiu a minha cara. Honestamente, eu teria me divertido bem mais se o A. tivesse ido comigo. Que é que eu vou fazer, minha gente, se a companhia do senhorio é simplesmente perfeita? Porque assim, a companhia tem que ser muito boa. Uma companhia meia boca pode estragar a Disney.

Estar sozinha na Disney é legal porque você pega filas mais curtas em alguns brinquedos (fila para single riders) e lugares melhores para ver os shows, porque você se espreme facilmente na multidão. Por outro lado, não tem ninguém pra dar gritinhos com você, pra dar risada das caretas que a gente faz nas montanhas-russas e pra segurar a mão quando a gente vê aqueles fogos de artifício tão lindos.

Dia 1

Gente, meu hotel. Era. Lindo. Hotel de brasileiro pobre, Pop Century Resort, mas a Disney tem a vibe de fazer coisas de pobre serem lindas, sabe? Meu quarto era nos “anos 80” (cada bloco era de uma década), todo decorado com pac-man, e uma piscina gigante que tinha um teclado no chão com as teclas meio “macias”. Cimento macio. Cara, a Disney. Detalhe que eu não levei biquíni, então nem curti a piscina. Imbecil.

Piscina que eu não aproveitei
O prédio

Sr. Cabeça de Batata
Pebolão e telefone do Mickey

(Clica nas fotos que elas aumentam.)

Detalhe que o meu prédio era o mais longe de todos, e o meu quarto ficava no fim do corredor mais distante do último andar - ou seja, eu estava quase caindo pra fora do complexo, mas tudo bem. Pelo menos pegava um wi-fi misterioso. Porque não sei se vocês sabem, mas não tem wi-fi na Disney. Em lugar nenhum.

TAN-DAAAAN.

Bom. Aí no primeiro dia mesmo eu já fui pro Magic Kingdom, porque meu PACÓTCHI incluía cinco dias de parque e eu é que não ia perder nenhum. Fui pro Magic Kingdom só pra ver o Agrabah’s Marketplace e a atração dos tapetes voadores do Aladdin, mas honestamente acho que estou velha demais para curtir uns tapetinhos voando em círculo a 2 km/h e que, de repente, levam uma “cuspida de camelo”. 

Sorriso espontâneo - NOT

Aí eu fui pra fila tirar foto com a Ariel e o Eric. Foi a primeira de uma longa série de filas para tirar fotos com personagens em que eu dividia espaço com criancinhas e mamães. Em alguns momentos, cheguei a ficar com medo que achassem que eu era uma pedófila louca, mas como eu sempre estava lendo algum livro na fila e não olhando pras criancinhas, acho que era só coisa da minha cabeça mesmo.

Imaginem a cena: Disney. Fila para tirar foto com a Ariel. Pessoa de 27 anos, de maria-chiquinha e camiseta da Bela e a Fera lendo The Vines of Desire e segurando um caderninho de autógrafos.

Esqueminhas

Na Disney tem um esqueminha chamado PhotoPass, que eu até que poderia dizer que foi criado para losers solitários como eu, mas não é bem assim, porque na verdade a única pessoa sozinha que eu vi na Disney além de mim era um cara que tinha muita cara de nerd de animação, tipo estudante. Enfim, são fotógrafos profissionais que ficam espalhados pelos parques, em lugares estratégicos, e eles tiram a sua foto e te dão um cartãozinho com um código. Com esse código você pode ver suas fotos em baixíssima definição no site da Disney e também comprá-las em produtos cafonas, como canecas e camisetas. Porém, meu PACÓTCHI incluía um álbum de fotos com as fotos que eu fizesse, então me joguei no Photopass, né (mais sobre isso em outro post).

Ainda bem que me joguei no meu celular também, porque o fotógrafo filho de uma Minnie só tirou foto minha com o Eric e a Ariel fora de foco. Quarenta minutos na fila, e uma foto de lado. Corno.

Alguma dúvida de que o Eric era meio afetado?

As outras fotos foram um pouco melhores. A Rapunzel era extremamente fofa e querida e meiga. Só que baixinha. Todas as princesas eram mais baixinhas do que eu, o que gerou uma série de fotos “Disney Princesses & a Corcunda do Iguaçu”.

Pra que postura

Nesse primeiro dia eu fui em várias atrações, mas nada tipo OOOH. O mais legal mesmo foi que não tinha fila pra nada. Nada. Em meados de 1999, quando fui a primeira vez, tinha pouca fila; dessa vez, juro, não tinha fila nenhuma, uma beleza. Mas também, 35°C todos os dias no coco, se fosse pra ficar em fila EU IA PRAS LOJINHAS. Juro, gente, um calor do inferno.

Por falar em lojinha, eu fiz uma verdadeira maratona atrás de orelhas de Minnie, e queria dizer o seguinte: Querida Disney, eu sempre amei você. Por que vocês não fazem orelhinhas para pessoas adultas que usam óculos? Tive que comprar um chapéu do gato da Alice que basicamente dividia meu papo em dois. Não foi fácil.

Mas de perto o chapéu é lindo, juro

Enfim, voltando, um puta calorão, fui pra Splash Mountain, né? A menina no carrinho junto comigo toda com medo de se molhar, e eu pensando que ela nem deveria ir porque ia se molhar com certeza, mas que, meu Deus, com esse sol da porra, se ela se molhasse ia secar em dois minutos.

Entrei na caverninha, vi os bichinhos, ziparirurá, etc. Quando eu saí da caverninha...

TAVA CAINDO O MUNDO.

Gente, maior temporal ever. Fecharam os brinquedos todos, galera correndo pra dentro das lojinhas pra se proteger. Raios e trovões. A chuva não acabava mais. Achei que fossem achar meu esqueleto enrolado numa capa de plástico do lado dos chaveirinhos do Mickey. A menina que não queria ir na Splash Mountain, né? Coitada. SPLASH VIDA.

Enfim. Lá pelas 18h a chuva acabou e eu decidi voltar pro hotel porque 1. Estava molhada e 2. é claro que no dia que eu fui pra Disney tinha que rolar uma pegadinha de o parque fechar mais cedo por causa de um SHOW GOSPEL. Sem problema, porque no hotel tinha mais diversão e uma lojinha, yay! Corri pra pegar meu copão de refil de refri (fazia parte do PACÓTCHI) e a refeição do dia.

O PACÓTCHI de cinco dias incluía dez refeições e dez “snacks”, e gente, eu recomendo muito essa promoção pra quem quer, como diria o querido Pumba, comer como um porco. (Pumba, você é um porco.) Uma refeição inclui um prato gigante e dois acompanhamentos, e como eu já tinha o copão de refil de bebida, pegava um prato gigante + duas guloseimas, que podiam ser saborosas frutas e saladas bastante saudáveis. Pareciam ser, pelo menos, porque eu só pegava pão com peanut butter, sorvete, pipoca...

Então é isso, pessoal. Se alguém aguentou ler até aqui, prepare-se, porque amanhã tem o dia dois:
Hollywood Studios e a constatação de que TÔ VELHA PRA ESSAS COISAS.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Me, Myself and Mickey

Depois de 15 dias de férias frustradas de inverno, decidi ocupar meus 15 dias de férias restantes com uma glamurosa temporada na Disney. É, pessoal. Tinha sido uma promessa: “Nas minhas primeiras férias na Itaipu, vou pra Disney”.

O detalhe é que, apesar de não viver mais alone (sugestões para novo título de blog?), essa viagem eu vou fazer sozinha. Por uma série de motivos, o A. não vai comigo. Claro que vou sentir saudade dele, e claro que tudo seria muito mais legal com ele, até porque ele aceita minhas pimponices e é a melhor companhia do mundo, mas ele não pode ir mesmo, e não acho que seria justo abrir mão da primeira vez desde 2001 em que consigo reunir o combo tempo+dinheiro+visto americano (tirado em Assunção em uma semana, viu, embaixada em Sampa?) para tirar férias decentes. Afinal, ele esteve na Filadélfia no ano passado. E eu nem pra praia fui.

No final das contas, gente, ele vai pra Fernando de Noronha por conta da empresa enquanto eu estiver lá, então não é como se ele estivesse ficando para trás, né?

Ok, mas o que eu queria falar é sobre o pre-con-cei-to das pessoas com quem viaja sozinha. Tipo, nooossa, mas você vai pra Disney sozinha? Que dó!

Gente. Até entendo que algumas pessoas sejam tão entediantes que não suportam a própria companhia e têm que viver em bando o tempo todo, mas a Disney é o autoproclamado lugar mais feliz do mundo. E quem me conhece sabe que eu curto muito uma Disney vibe. Como assim, ter pena porque estou indo sozinha?

Viajar sozinho é bacana porque permite que você veja as coisas que te interessam e que as outras pessoas não são a fim. Na boa, nem o A. teria paciência de ficar duas horas dentro da lojinha do Aladdin (coisa que pretendo fazer) ou percorrendo a Disney atrás da Rapunzel pra tirar uma fotinho. Tomar café da manhã com as princesas é algo que eu curto (e farei!), mas que amiga minha aceitaria pagar 40 dólares por isso? Por outro lado, Animal Kingdom pra mim é totalmente zzz, enquanto outras pessoas amam móito. Faz sentido pagar milhões pra viajar e fazer algo que você nem é muito a fins?

Quinze dias na Disney e em outlets, livre para fazer os meus horários, os meus programas e entrar apenas nas lojas que me interessam. E, perfeição: quando eu voltar para casa com malas abarrotadas, meu amor estará feliz e bronzeadinho, me esperando na nossa casinha linda, para ver minhas fotos ridonculas e ouvir as histórias bizarras que eu certamente contarei.

Porque alguém tem alguma dúvida de que haverá histórias bizarras? Eu, loaded e à solta na Disney. Medo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ch-ch-changes

Aqui na empresa, como em muitas empresas, tem um processo de avaliação do empregado. Acho justo, acho honesto, acho bacana. Mas (sempre tem um mas), um dos itens me deixou meio que com a pulga atrás da orelha.

Logicamente, é um item em que eu não fui bem. Os que eu fui bem, nem me lembro - é assim que a gente funciona, né? Foca no que tem de ruim e esquece que, sei lá, teve a melhor avaliação da turma no quesito organização (que, em se tratando de uma turma de jornalistas, é uma habilidade rara).

Basicamente, tive uma má avaliação em relação à minha "habilidade para lidar com mudanças".

De fato, eu não gosto de mudanças. Desculpa aí, se eu estou acostumada com o meu computador, a minha resolução de tela, o meu teclado, a forma como as minhas coisas estão dispostas na mesa e os meus arquivos estão nas pastinhas. Desculpa aí, se eu não curto quando me organizo para fazer as coisas de um jeito e as pessoas mudam de última hora sem motivo aparente. Desculpa. É mais forte que eu. E é foda porque, por mais que eu tente, não sei se um dia vai rolar de eu aumentar minha nota nesse quesito. Existe treinamento para "aceitação de mudanças"?

Se existisse, eu até estava dentro. Leia alguns posts do blog caso você tenha alguma dúvida da minha vontade de ser uma pessoa melhor. A minha terapeuta mesmo disse que ela nunca teve uma paciente tão esforçada. Eu tomo banho gelado todo dia para "esfriar a cabeça", gente, mesmo que esteja -2°C lá fora. Eu parei de tomar Coca-cola. Se me disserem que comer cocô ajuda a ser mais paciente, cara, capaz que eu coma.

Mas honestamente, a minha dificuldade em lidar com mudanças faz de mim uma pessoa pior? Vejam bem: não é que eu não aceite mudança. Hoje, por exemplo, deixei meu monitorzinho básico e meu teclado velhaco pelo computador novo com dois monitores do meu colega para fazer o jornal aqui. Mudei minha rotina, minha mesa, minha cadeira, meu computador e tamos aí, trabalhando numa buena. Então, eu aceito mudança. Mas não é algo que me deixe exatamente feliz.

Voltando: isso faz de mim uma pessoa pior? Uma profissional pior? Gente, meu grande trunfo é a organização; vocês conhecem alguém organizado que curta mudança? Meio paradoxal. Pessoas organizadas curtem rotinas. Eu curto. E nem por isso deixo de trabalhar direitinho quando alguma coisa muda. Posso ficar de bico, posso choramingar; mas em nenhum momento deixo de fazer, sabe?

Aí fico pensando até que ponto essas avaliações empresariais em geral são justas. A que eles fazem aqui é bem legal, várias pessoas respondem e, ora bolas, os pontos avaliados são resultados de pesquisas e de opiniões de especialistas. Mas coisas como essa, que fazem parte da personalidade da gente e que não fazem mal para ninguém, tem como mudar? E é o tipo de coisa tão relevante assim que poderia me prejudicar?

Dúvidas, dúvidas.

Só mesmo uma gaveta bem arrumadinha para me tranquilizar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Como não aumentar a autoestima em uma lição

Tem uma coisa engraçada sobre os meus avós maternos que eu demorei muito para entender, mas depois que entendi, nossa, parece que grande parte dos meus traumas de infância evaporaram. Vou compartilhar porque depois que compreendi esse comportamento comecei a observar que ele é mais comum do que eu pensava - e é sempre uma merda.

Situação:

"- Vó, passei no vestibular!
- Ai que booom, Nina! (abraço, etc.) Sabe quem também passou? A Fulana!"

"- Nossa, Nina, como você emagreceu!
- Ah, obrigada, vô, eu estava fazendo regime...
- A sua prima também está bem magra, mas ela não faz nada..."

"- A Nina viajou para São Paulo ontem e...
- Ah, sabe onde o M. está? Lá em Minas Gerais!"

Deu pra sacar, né? Eles até curtem a sua felicidade, mas, MAS sempre tem alguém que fez melhor, mais ou foi mais longe. Como isso enchia o saco, minha nossa. A impressão que dava era que eles não estavam nem aí pra mim, que tudo que os outros faziam era melhor.

Foi aí que, conversando com a minha prima, eu descobri que eles fazem a mesma coisa com ela.

Assim:

"- Vó, vou viajar com o L. para a Argentina!
- Ah, que legal! E sabia que a Nina foi pra São Paulo?"

Entendem? Na verdade, eles não estão querendo menosprezar ninguém e nem comparar. Essa é apenas a forma de dar continuidade à conversa.

Depois eu tenho problemas pra me relacionar com as pessoas e não entendo por quê. Tá no sangue, gente. San-gue.

~~Propaganda sem-vergonha~~

Alô você, visite meu blog-brechó e me ajude a ganhar uma graninha: http://brechozenho.blogspot.com. Kthanksbye.

terça-feira, 12 de julho de 2011

The road pavened in gold

Há uns dez dias, em férias, fui para Curitiba. Tudo me pareceu bem... exceto minha mãe. Ela estava tão triste! Depois de um dia "de meninas", com direito a comprinhas e lanche, ela me contou o que estava acontecendo. É que, depois de uns 15 anos trabalhando na mesma área, ela agora tinha mudado o foco e estava sentindo saudade.

Minha mãe é farmacêutica e trabalhava em hospital. Não é porque é minha mãe, mas é das boas. Ela amava aquele negócio que muita gente nem se toca que existe; treinou equipes e mais equipes, montou farmácias, organizou hospitais e estoques e sistemas... Ela fala daquilo com reverência, de um jeitinho diferente: "hoS-pital. Como se o "s" aumentasse e desse um saltinho antes de passar pro "pital". Não sei como descrever, é muito dela esse jeitinho.

E aí, de repente, se viu ajudando meu pai na loja e trabalhando com importação de materiais cirúrgicos pra uma distribuidora. No começo, ela estava feliz por passar mais tempo com o meu pai, com a vida mais tranquila e o salário maior, mas sabe como são as coisas... Ela estava com saudades. Eu, claro, sugeri que ela tentasse voltar a trabalhar no que ela gostava, talvez em meio período, sei lá... E desejei do fundo do coração que logo aparecesse alguma coisa pra ela.


Coincidência ou "o segredo", no dia seguinte surgiu uma vaga perfeita pra ela. Fiz até promessa: se ela fosse chamada, eu ficaria sem refrigerante até o final do ano. Ela se inscreveu, participou da seleção e três dias depois estava contratada. Eu já estava em São Paulo a essas alturas, então vibrei sozinha, mas a promessa começou ali mesmo - e quem me conhece sabe o quanto eu amo Coca-cola.

Uma semana depois, minha mãe me liga para contar que vai desistir, que não era bem aquilo que ela queria, la la la... E que ia sair do hospital e se dedicar apenas à empresa de importação.

Sim, eu também pensei exatamente isso. Pensei que ela era uma panaca, que ficava de mimimi e desperdiçava o que aparecia. Que tinha desperdiçado meu tempo, minha esperança e até minha sede por bobagem. Fiquei bem chateada e bem zangada.

Mas aí, me dei conta que o que eu queria mais que tudo é que ela fosse feliz, e que a minha promessa tinha sido: "se for pra ser o melhor pra ela, que ela seja a escolhida". No fim das contas, foi mesmo o melhor pra ela, mas não no sentido que eu pensava. Serviu para ela ver que a tristeza e a chateação dela tinham outro motivo, diferente daquele que ela tinha escolhido como bode expiatório. E que ela ia ter que se mexer pra jogar o jururu pra debaixo do tapete, porque aquela desculpinha de "saudade do hospital" não ia colar.

Nem todo mundo tem a sorte que a minha mãe teve, eu acho. De querer muito uma coisa, conseguir e ter a possibilidade de ver que, opa, não era bem isso, o caminho é outro. Às vezes a gente quer muito, muito mesmo uma coisa, aí não consegue e fica puto; outras vezes, consegue, mas depois só vê a vida desabar. Nem sempre dá tempo de dar a ré e olhar de novo no mapa.

Minha mãe está olhando o mapa. Ela pôde dar os primeiros passos de volta à "estrada dourada", mas aí viu que aquela vida deu o que tinha que dar. No momento, ela está de olho nas placas, e eu torço para que logo encontre o que vai fazer ela feliz de volta. Quando ela me ligar e eu sentir de volta aquela alegria na voz dela, vou comemorar com um bom gole de água com gás...

sábado, 25 de junho de 2011

Ideologia

Eu tinha toda uma ideologia de vida sobre não entrar no Facebook, porque só dá merda, porque o passado tem que ficar pra trás, porque network não me interessa, porque sou desagradável e ninguém ia querer ser meu amigo, etc. etc.

Tudo isso ficou para trás quando o A. foi colocar que estava num relacionamento sério e, opa! não dá pra colocar meu nome lá porque eu não tenho Facebook.

Oi?

Aí como já tinha jogado toda a ideologia no bueiro, entrei e fui adicionando como se não houvesse amanhã, desde amigos dos tempos do epa até ex-namorados, porque já que é pra se jogar, vamos à lama. Parei na ex-mulher do atual porque esse bom senso eu ainda tenho.

Mas acho que * estava escrito *, porque essa noite eu sonhei que a Kate Middleton me pedia pra entrar no Facebook porque queria ser minha amiga, e gente, quando a Duquesa quer ser sua amiga, adeus ideologia. Mesmo que seja em sonho.

Então me addem lá para eu não ficar parecendo uma isolada solitária, thank you.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Meme literário

A convite da Ju, um meme literário pra animar a sexta-feira:

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Ô, já li e reli Pride and Prejudice e Emma umas mil vezes, meus pocketzinhos estão em estado de miséria. Também já reli todos os Harry Potter. E Dom Casmurro. Nas Tuas Mãos. Volta e meia abro Contos de Amor Rasgados pra reler algum continho. Na verdade, adoro reler livros que eu gosto muito.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Que eu me lembre, Comer, Rezar, Amar. North and South. E Sagarana. Mas teve outros. Alguns que eu consegui ler até o final depois de muita insistência se provaram dignos do esforço, em especial Cem Anos de Solidão e Grande Sertão: Veredas.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Pride and Prejudice.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Que eu me lembre, nenhum. Eu sempre dou um jeito (uahaha). A não ser que a lista inclua livros que eu pretendo ler.

5 - Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?

Cena final é meio foda de lembrar, mas tem algumas cenas do Shopgirl que me marcaram muito (aliás, acho que vou reler). E, como acabo de ler The Heart is a Lonely Hunter, as cenas finais dele estão meio grudadas na minha memória.

6 - Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Muito! E lia qualquer coisa. Quando era bem criança, amava uma coleção da Disney, “Uma história por dia”. Depois teve a fase Sidney Sheldon, Agatha Christie.

7 - Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?

Jane Eyre. Ô mulherzinha mais chata. E vários livros da época do colégio.

8 - Indica alguns dos teus livros preferidos.

Hum... Pride and Prejudice, Nas tuas mãos, The History of Love, Shopgirl, Mrs. Dalloway.

9 - Que livro estás a ler neste momento?

Ai, que vergonha. Estou lendo Temperamento forte e bipolaridade, que a psiquiatra mandou. Fom!

10 - Indica dez amigos para o Meme Literário.

Não tenho dez amigos, mas quem quiser fazer, fica aí a dica!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Para S.

Hoje, dia 20 de maio, é aniversário da minha melhor amiga.

Como teve um ano em que eu me esqueci, para todo o sempre essa data vai ficar gravada na minha memória. Ou não, porque eu sou distraída. Mas ela sabe disso.

Hoje é o aniversário da minha melhor amiga no mundo, e digo do mundo porque não faço a menor ideia de onde ela está agora. Não sei para onde ligar, nem para onde mentalizar meus melhores desejos. Em janeiro ela foi para a Espanha; em abril estava na Irlanda; e, sabendo das asas rápidas que ela tem, imagino que possa estar em qualquer lugar.

Porque ela é assim: fada, borboleta. Enquanto eu sou rocha, sou gaiola, sou segurança e pé no chão, a minha amiga é céu, é luz, é sol. Cabelos louros de sol. É onda do mar verde clara como seus olhos. É flor que eu vi desabrochando ao longo de mais de dez anos de amizade.

Mudamos tanto, nesses anos! A vida teimou em nos afastar, mas nossos braços foram ficando mais longos e nossos dedos se esticando para continuarmos de mãos dadas pelos caminhos distantes que percorremos. Passam-se dias e meses em que não trocamos palavra; mas, quando trocamos, é como se estivéssemos de mãos dadas todos os dias.

Porque amizade é isso: é ficar de mãos dadas em silêncio e à distância, sabendo que estamos ali uma para a outra. É compreender as diferenças e aprender o mundo novo da sua amiga. E eu aprendo tanto com ela, tanto!

Somos Animale e Maria Filó. Maria Rita e Belle and Sebastian. Medicina e jornalismo. Liberdade e estabilidade. O mundo e Foz do Iguaçu. Água e coca-cola. Somos duas, e tão diferentes, mas isso tudo se perde nas risadas, nas histórias, nos conselhos.

Eu não sei onde ela está agora, mas sinto que está feliz. Minha amiga é corajosa, é animada, é positiva, é meu orgulho. Ela largou o sonho de muitos para trás, para viver o seu. Para procurar o que ela queria para si. E eu, mais que todos, torço para que ela encontre, para que ela encontre em si mesma a joia preciosa que eu já encontrei nela. E que, eu tenho certeza, estará ainda mais lapidada e bela quando a gente se reencontrar.

Amiga, onde quer que esteja, saiba que meus desejos mais bonitos são seus, hoje e sempre. Que hoje eu abro mão dos meus sonhos para que os dela sejam mais lindos, e que envio meu maior sorriso para iluminar seus caminhos. Quero que ela saiba que pensei nela o dia todinho, como sempre penso quando vejo lustres de cristal, palácios, coroas.

Feliz aniversário, amiga querida. Onde quer que você esteja, você está no meu coração.

Te amo!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

You see all my light (and you love my dark)

Já estava acordada antes do despertador tocar, mas foi quando coloquei o pé para fora da cama que senti. O latejar. A espuma ardida e brilhante que se forma na minha cabeça quando começa a enxaqueca. Não foi surpresa: ela sempre vem nesses dias, companheira da cólica, do inchaço e do mau humor.

Fui ao banheiro sem nem abrir os olhos, tentando me mexer o menos possível, já prevendo um dia terrível de dor. Voltei cambaleando para a cama. Eu nem disse bom-dia: "Acordei com uma enxaqueca horrível." Você também não disse bom-dia: só me puxou para o seu peito, um beijo na testa e um carinho leve no cabelo. Não gosto que me toquem quando tenho enxaqueca, mas. Aqueles braços. Aquele coração batendo levinho. Me aninhei, esquecida da hora, dos compromissos, do não-me-toque. Da dor.

Não sei quanto tempo se passou, mas, quando você me soltou de leve para se levantar, acordei e percebi que estava melhor. Porque é isso que você faz: você me deixa melhor, sempre, e por você eu quero ser cada vez melhor.

Te amo.